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Terapia não é um serviço: é um compromisso consigo mesmo

Atualizado: 27 de fev.

Terapia não é um serviço: é um compromisso consigo mesmo

Por Aline Sampaio


Existe uma diferença sutil — e profunda — entre contratar um serviço e se comprometer com um processo.


A psicoterapia não é algo que o profissional faz em você.

É algo que você escolhe sustentar.

Terapia é um compromisso consigo mesmo.


O terapeuta oferece escuta qualificada, técnica, direção e ética.

Mas é o paciente quem decide se implicar.


E implicar-se é um ato de maturidade emocional.


O valor da terapia não está apenas no preço

Quando falamos sobre o valor da terapia, não estamos discutindo apenas investimento financeiro.


Estamos falando sobre:


  • Honrar horários;

  • Sustentar combinados;

  • Se responsabilizar pelo próprio processo.


A forma como alguém se posiciona diante da terapia revela, muitas vezes, como se posiciona diante da própria vida.


E isso não é crítica.

É leitura clínica.


Liberdade sem responsabilidade é ilusão

A terapia amplia consciência.

Mas consciência não transforma sozinha.


Gosto de afirmar:


"A dádiva da liberdade é a responsabilidade". (Frase muito importante!)


Ser livre para escolher também significa sustentar as consequências das próprias escolhas.


O terapeuta não atravessa o caminho pelo paciente.

Ele ilumina o percurso.


Quem caminha é você.


Quando surgem faltas, atrasos e desmarcações

Imprevistos acontecem. Dificuldades financeiras também.

A vida é real.


Mas, quando faltas, atrasos ou desmarcações se tornam frequentes, é importante olhar com delicadeza para isso.


Às vezes pode ser:


  • Cansaço emocional;

  • Medo de aprofundar temas sensíveis;

  • Resistência inconsciente;

  • Dificuldade de se priorizar.


E tudo isso pode — e deve — ser acolhido dentro do próprio processo terapêutico.


Nada é pequeno demais para ser observado.


Porque a maneira como você cuida da sua terapia costuma refletir como você cuida da sua própria transformação.


A forma como você se relaciona com a terapia revela a importância que atribui ao próprio processo. Seu horário semanal não é responsabilidade do terapeuta, é sua. Ausências frequentes podem indicar que o autoconhecimento não está sendo tratado como prioridade. O tempo da sessão é tempo de vida e de reflexão sobre a sua transformação; se você não se dedica a ele, o que isso significa?


Quando você falta, desmarca em cima da hora, não remarca ou esquece o atendimento, não prejudica apenas o psicólogo, mas a si mesmo. Você falha com a sua própria mudança. A maneira como assume — ou não — esse compromisso também integra o trabalho clínico e é observada ao longo do acompanhamento.


Vale lembrar que a terapia, na maioria das vezes, exige continuidade e constância. Nos dias bons, ela é necessária; nos dias difíceis, também. O processo terapêutico costuma ser manutenção e cuidado contínuo — não apenas um recurso para momentos de emergência.


Meu dinheirão!

Eu preciso de um descontão? Sim, todos nós precisamos. Porém, muitas vezes, isso também expressa o valor atribuído à própria saúde mental e ao profissional. É possível perceber que algumas pessoas poderiam investir mais no processo, mas evitam fazê-lo, reduzindo o cuidado consigo mesmas. Vale lembrar que, quanto menor o investimento, menores também são as possibilidades de o terapeuta continuar se aprimorando, estudando e oferecendo recursos adequados para um atendimento de qualidade. É um ciclo. O que parece economia pode se transformar em autossabotagem — e ainda impactar o profissional.


Atrasar pagamentos, fazer acordos e não cumpri-los também comunica algo. Pode revelar conflitos internos, dificuldades de organização ou resistência ao aprofundamento.


A maneira como você conduz questões financeiras, ausências e outras atitudes no processo terapêutico diz muito sobre o que considera realmente importante na vida. Em alguns casos, pode indicar dificuldade de se priorizar e de sustentar o cuidado com a própria saúde emocional.


Investir em si é um posicionamento interno

É importante ressaltar que existem situações reais de dificuldade e condições que podem gerar deslizes. Isso deve ser considerado com respeito. Ainda assim, na maioria das vezes, esses movimentos falam sobre necessidades internas do paciente — e não sobre o psicólogo. #ficaadica


O processo terapêutico não termina quando a sessão acaba. Ele vive nas reflexões, nas escolhas, nos limites que você começa a colocar, nas decisões que passa a tomar com mais consciência.


Por isso, o verdadeiro valor da terapia está na forma como você se implica nela.


Tenho perguntas importantes:


  • Qual tem sido o lugar da sua saúde mental na sua vida hoje?

  • Qual o valor que você dá para sua terapia, seu terapeuta e para você?


Aline Sampaio

Psicóloga direcionada a Abordagem Centrada Pessoa e Jornalista apaixonada pela informação.

 
 
 

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© 2023 por Aline Sampaio.

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