Não sou bombeiro!
- Aline Sampaio

- 16 de jun.
- 3 min de leitura

Por Aline Sampaio
Olha só: muita gente confunde psicólogo com bombeiro! Sim, acredite, isso é mais comum do que parece. Há pessoas que só procuram um psicólogo quando a situação está pegando fogo, ou seja, apenas na emergência.
E não há nenhum problema em buscar ajuda durante uma crise. Pelo contrário. O problema é quando a terapia passa a ser vista apenas como um "socorro" momentâneo. Muitas pessoas fogem de se aprofundar e de cuidar de si de verdade, por isso só procuram o profissional quando estão muito mal.
É comum que a gente só olhe para a dor quando ela incomoda. Assim também acontece com o nosso corpo. Quando não nos sentimos bem, procuramos um médico e buscamos um remédio. Quando a dor passa, muitas vezes interrompemos o tratamento.
Mas será que você realmente fez o cuidado necessário? Será que a dor foi tratada ou apenas aliviada? Você conhece a verdadeira causa dessa dor?
Na saúde mental acontece algo muito parecido.
Quando as pessoas entram em crise, tendem a buscar ajuda. Depois que a crise diminui, parece que tudo passou. Até que, algum tempo depois, uma nova crise aparece. E assim nasce um ciclo vicioso. Sem cuidar da origem da dificuldade, o problema continua e você nunca chega a se reconhecer profundamente.
No geral, buscamos um psicólogo quando sentimos que não conseguimos lidar com alguma situação. É o famoso: "Socorro!". Mas há quem, depois de se sentir um pouco melhor, queira abandonar a terapia. Diminuir as sessões costuma ser um dos primeiros sinais dessa ideia de que "agora está tudo bem".
É fato que, quando você toma um remédio, a dor diminui. Mas isso não significa que ela desapareceu. Então vale a pergunta: será que você realmente está melhor?
Organizar as emoções não significa, necessariamente, compreendê-las. O processo terapêutico também envolve entender o que você sente, dar nome às suas experiências e construir novos sentidos para elas.
"Mas vou precisar fazer terapia para sempre?"
Não. Mas é importante ter cautela. Caso contrário, a vida pode se transformar apenas em uma sucessão de montanhas-russas emocionais, sem que você compreenda verdadeiramente o que está vivendo.
Fazer terapia apenas durante os incêndios é uma forma reativa de cuidar da saúde mental e, muitas vezes, demonstra uma dificuldade de lidar com a frustração e com a dor. Em alguns momentos, falar alivia. Colocamos tudo para fora e sentimos um certo esvaziamento. Mas isso não significa, necessariamente, que conseguimos elaborar a experiência ou integrá-la à nossa história.
"Mas eu não tenho assunto na terapia."
Será?
Na maioria das vezes, quando alguém diz isso, pode haver uma resistência em olhar para si e evitar o confronto consigo mesmo. Vale a pena investigar o que está por trás dessa sensação de não ter o que falar, pois isso também faz parte do processo terapêutico.
Grande parte do processo terapêutico acontece justamente quando você está bem. É nesse momento que consegue compreender melhor o que sente, organizar suas experiências e transformar isso em mudanças concretas no cotidiano. Durante a crise, geralmente existe muita confusão. É quando ela passa que começamos a dar sentido ao que vivemos.
Muita gente nem percebe, mas acaba sabotando a própria terapia. Evita aprofundar determinados temas, muda de assunto, falta às sessões ou interrompe o processo justamente quando ele começa a tocar nos pontos mais importantes. Permanecer nesse lugar conhecido, por mais desconfortável que seja, às vezes parece mais fácil do que enfrentar as mudanças.
Na terapia, muita coisa não é exatamente como parece. Pequenos comportamentos, silêncios, repetições e até aquilo que você acredita não ter importância podem dizer muito sobre você.
Então fica a pergunta:
Você quer realmente se entender e mudar ou só apagar incêndios?
Conta para mim nos comentários.
Aline Sampaio
Psicóloga influenciada pela Abordagem Centrada Pessoa e Jornalista apaixonada pela informação.



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